Conheça a Camada Porosa de Atrito (CPA) – O pavimento asfáltico poroso!

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Fonte da Figura: Autor desconhecido.

O revestimento asfáltico mais comum empregado no Brasil é o Concreto Betuminoso Usinado a Quente, o CBUQ. Como já tratado em artigos anteriores, que você encontra aqui, o CBUQ é impermeável pois passa por um rigoroso controle de qualidade permitindo vazios apenas para variações de temperatura. Com a evolução do pavimento asfáltico surgiram também misturas porosas, conhecidas como Pavimentos Drenantes.

As Misturas Asfálticas porosas foram criadas para obter uma superfície drenante que pudesse drenar águas pluviais, para que fosse evitada a formação de spray que gera insegurança na circulação dos veículos.

A água presente na superfície dos pavimentos, principalmente em dias muito chuvosos onde o declividade transversal convencional de pavimentos não consegue vencer o fluxo de água, pode ocasionar o spray ou a aquaplanagem. O spray é o fenômeno de projeção da água devido ao movimento cinético dos veículos. A aquaplanagem é o fenômeno em que os veículos derrapam sobre a superfície, isso ocorre pois o excesso de água cria uma camada entre o pavimento e o pneu, de tal forma que diminui o atrito.

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Figura 1 – Seção transversal do Pavimento Drenante. Fonte: Prefeitura de São Bernardo do Campo.

A camada porosa de atrito (CPA), especificado na DNER 386/99, surge exatamente para combater esses efeitos indesejáveis do excesso de água sobre o pavimento. Dessa forma, o CPA por apresentar grande volume de vazios permite com que a água infiltre em seus poros e seja encaminhada para drenos laterais. Diferente do que muito se pensa, o pavimento drenante não tem como função a drenagem, ou seja, não deve ser adotado no lugar de bocas de lobo, bocas de leão e etc. O CPA é um pavimento poroso que tem como função diminuir os riscos de aquaplanagem, aumentando o atrito entre pavimento e pneu e possibilitando ainda a redução de ruídos gerados pelos veículos.

Mas afinal oque acontece com a água ao infiltrar no pavimento drenante? As misturas asfálticas com grande volume de vazios exigem uma camada inferior de CBUQ densa, para impermeabilizar as camadas inferiores e impossibilitar a infiltração de água para camadas de base, sub-base e subleito. A água então infiltra pelo CPA e encontra uma camada impermeável, fazendo com que ela percole lateralmente até chegar aos drenos laterais. A camada porosa de atrito consiste em uma mistura aberta (mal graduada) de agregados que resultam em vazios de 18% a 25% da mistura. A quantidade de CAP é aquela que garanta uma certa estabilidade, mas deve ter um limite para evitar o fechamento da mistura, dessa forma a DNER ES 386/99 recomenda teor de ligante entre 4% e 6%.

O grande problema das camadas porosas é que elas exigem um rigoroso controle e manutenções preventivas. Nesse tipo de revestimento ocorre a colmatação dos vazios, devido a poeira e outras partículas, o que pode resultar na perda de 50% da capacidade drenante desses pavimentos no primeiro ano de sua vida útil, conforme observado por NASCIMENTO e REIS (1999). A Tabela 1 apresenta as faixas granulométricas utilizadas para a mistura.

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Tabela 1 – Faixas granulométricas do CPA. Fonte: BERNUCCI, MOTTA, CERATTI e SOARES (2008)

Ou seja, pavimentos drenantes são pavimentos que possibilitam um aumento da segurança em dias chuvosos desde que utilizados de forma adequada. Devem ser tomadas as devidas precauções e manutenções, de forma a impossibilitar a colmatação da camada. As manutenções para evitar colmatação dos vazios são geralmente realizadas com jatos de ar comprimido. Meu trabalho de Iniciação Científica foi justamente sobre a aplicação desses pavimentos na cidade de São Bernardo do Campo, caso queira conhecer um pouco do projeto clique aqui.

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Fontes:

BALBO, José Tadeu, “PAVIMENTAÇÃO ASFÁLTICA: Materiais, projeto e restauração”. São Paulo, 2007.

BERNUCCI, L.B; MOTTA, L.M.G; CERATTI, J.A.P; SOARES, J.B. “PAVIMENTAÇÃO ASFÁLTICA: Formação básica para Engenheiros”. Rio de Janeiro, 2008.

PEIXOTO, Creso de Franco; “GENERALIDADES DE PAVIMENTAÇÃO RODOVIÁRIA”. Rio Claro, 2003.

PRIETO, Valter; “NOTAS DE AULA – SUPERESTRUTURA RODOVIÁRIA”. Centro Universitário da FEI. São Bernardo do Campo, 2016.

NASCIMENTO, H.R; REIS, R.M. “CAMADAS POROSAS DE ATRITO COM UTILIZAÇÃO DE ASFALTO MODIFICADO COM POLÍMEROS”. São Paulo, 1999.

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